Carregar um carro elétrico mais devagar pode parecer a forma mais econômica de recuperar a bateria em casa.
Um teste europeu mostra que essa lógica nem sempre funciona.
No Volvo EX30, a perda de energia chegou a 14,2% em uma tomada doméstica, contra 6,7% em uma wallbox de 22 kW.
A diferença significa que a tomada comum desperdiçou mais que o dobro da proporção observada na recarga de maior potência.
Em termos simples, a cada 100 kWh retirados da rede, os percentuais do teste representam uma diferença de 7,5 kWh apenas nas perdas do processo.
O que os 14,2% significam na conta de luz?
Perda de recarga é a diferença entre a energia medida na rede e a quantidade que efetivamente chega à bateria.
Parte da eletricidade alimenta o carregador de bordo, bombas, sistemas eletrônicos, conversores e o controle térmico enquanto o veículo está conectado.
Usando os percentuais do estudo como exemplo, 100 kWh consumidos da rede em uma tomada comum deixariam 14,2 kWh pelo caminho.
Na situação medida a 22 kW, a perda cairia para 6,7 kWh. Não é uma simulação de uma carga específica do EX30, mas uma forma de visualizar a diferença registrada pelo teste.
O impacto financeiro depende da tarifa de energia de cada residência e da quantidade de quilômetros percorridos por mês.
Quanto maior o volume de recargas, porém, maior tende a ser a importância dessa eficiência.
Por que carregar lentamente pode aumentar a perda?
Uma parte do consumo do carro permanece ativa durante toda a sessão. Se a recarga demora muitas horas, esses gastos fixos também permanecem por mais tempo.
Além disso, o carregador de bordo pode trabalhar com eficiência diferente conforme a potência disponível.
No teste do EX30, a perda já caiu para 9,1% em uma recarga de 4,1 kW. Em 11 kW, ficou em 7%.
O resultado não significa que aumentar a potência indefinidamente sempre melhora a eficiência, mas mostra que a tomada doméstica foi a pior condição entre as quatro avaliadas para o modelo.
O EX30 nem foi o carro com maior desperdício na tomada
O estudo do ADAC analisou cinco elétricos.
- O Mercedes CLA 350 EQ chegou a 24,2% de perda na tomada doméstica;
- Renault 5 E-Tech, Tesla Model Y e Volkswagen ID.7 ficaram entre 12,7% e 15,3%.
Nas wallboxes de 11 ou 22 kW, as perdas dos veículos testados ficaram entre aproximadamente 5,1% e 7%.
Ou seja, o padrão não apareceu somente no Volvo: todos os carros do levantamento foram mais eficientes na wallbox do que na tomada convencional.
Wallbox não serve apenas para carregar mais rápido
A principal justificativa para instalar uma wallbox continua sendo a combinação de segurança, controle e velocidade.
O estudo acrescenta outro elemento à conta: a quantidade de energia que não chega à bateria.
Isso não significa que toda residência deva instalar imediatamente um carregador de alta potência.
A decisão depende da instalação elétrica, do carro, da quilometragem mensal e do custo da obra.
Entretanto, quem avalia apenas “quanto tempo demora” pode ignorar uma parte relevante do custo de uso.
No caso do EX30, a comparação entre 14,2% e 6,7% mostra que o ponto de recarga pode alterar não só a conveniência, mas também a eficiência do carro dentro da garagem.

Sou entusiasta do universo automotivo e acompanho de perto as principais novidades do setor, especialmente quando o assunto envolve carros híbridos e elétricos. Gosto de compartilhar informações sobre tecnologia, inovação, consumo, lançamentos e tendências que estão transformando a mobilidade no Brasil e no mundo.