Arreda aí

BYD recua 16% e vê Geely reduzir diferença para 66 mil carros

A BYD encerrou o primeiro semestre de 2026 sob maior pressão no mercado chinês. A fabricante continua entre as maiores forças globais dos carros eletrificados, mas viu suas vendas recuarem enquanto a Geely diminuiu rapidamente a distância na disputa pela liderança dentro da China.

Ao mesmo tempo, a operação internacional ganhou peso nunca visto antes. Com avanço expressivo das exportações, quase metade dos veículos comercializados pela BYD já segue para consumidores fora de seu mercado doméstico.

BYD vende 1,81 milhão de eletrificados no semestre

Entre janeiro e junho, a BYD comercializou aproximadamente 1,808 milhão de veículos de nova energia, volume 15,72% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

A desaceleração começou a aparecer com força nos primeiros meses do ano.

Janeiro registrou queda anual de 30,7%, enquanto fevereiro recuou 41,8%. Em março, a retração ficou em 20,4% e, em abril, chegou a 15,7%.

Até aquele momento, pouco mais de 1 milhão de automóveis de passageiros haviam sido vendidos, queda de 26,4%.

Mesmo com uma recuperação gradual posteriormente, o desempenho não foi suficiente para evitar o recuo acumulado no semestre.

Foto: divulgação

Produção da nova bateria Blade limita crescimento

Parte do problema está relacionada à segunda geração da bateria Blade.

Segundo o presidente da BYD, Wang Chuanfu, a capacidade produtiva ainda não alcançou o nível necessário para atender à demanda planejada pela fabricante.

As linhas vêm passando por expansão e atualização, mas a disponibilidade continua apertada justamente quando a companhia prepara uma nova geração de veículos e tecnologias de carregamento ultrarrápido.

Essa situação também pressionou os resultados financeiros.

A receita caiu 7,1%, para 344,8 bilhões de yuans, enquanto o lucro líquido recuou 20,5%, para 12,32 bilhões de yuans no primeiro semestre.

Geely fica apenas 66 mil carros atrás

No mercado chinês, a disputa ficou muito mais equilibrada.

A BYD vendeu aproximadamente 1,016 milhão de veículos na China durante os seis primeiros meses do ano.

Já a Geely Auto chegou a cerca de 950 mil unidades, deixando uma diferença de somente 66 mil carros.

A comparação, entretanto, exige uma ressalva. A BYD comercializa exclusivamente veículos eletrificados, entre elétricos e híbridos plug-in.

A Geely ainda possui participação relevante de automóveis exclusivamente a combustão, além de ampliar sua presença entre eletrificados com a linha Galaxy e marcas como Zeekr.

Ainda assim, a aproximação ganha importância porque a Geely estabeleceu como objetivo alcançar a liderança do mercado chinês em 2026.

Exportações da BYD avançam quase 68%

Fora da China, o cenário é bem diferente.

A BYD comercializou aproximadamente 792 mil veículos no exterior entre janeiro e junho, crescimento de 67,8% sobre o mesmo período de 2025.

Isso significa que cerca de 44% das vendas totais da companhia já acontecem fora da China.

A meta inicial prevê 1,5 milhão de unidades comercializadas internacionalmente em 2026, embora a própria direção da empresa admita a possibilidade de superar esse número.

O Brasil está entre os mercados que ajudam nessa expansão, especialmente com a crescente oferta de elétricos e híbridos plug-in.

Marcas premium também aceleram

As divisões mais sofisticadas do grupo também avançaram.

Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang somaram cerca de 228 mil veículos no primeiro semestre, crescimento de 61% em comparação com o ano anterior.

Juntas, essas marcas já representam 12,6% das vendas da BYD.

Assim, embora a fabricante enfrente uma disputa mais apertada com a Geely na China, sua expansão internacional ganha importância estratégica para sustentar o crescimento ao longo de 2026.

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