Arreda aí

Carro 100% etanol não ganha IPI de 5,8% automaticamente: conta tem mais 4 critérios além do combustível

A nova tributação de automóveis tornou o combustível apenas uma das peças da conta do IPI.

Para carros de passageiros, a alíquota-base é de 6,3% e um modelo movido exclusivamente a etanol recebe redução de 0,5 ponto percentual no critério de fonte de energia.

Fazer apenas essa subtração produz 5,8%, mas esse número não é automaticamente a alíquota final do veículo.

O sistema do IPI Sustentável também aplica bônus ou acréscimos por eficiência energética, potência, segurança estrutural e tecnologias de assistência, além de reciclabilidade.

Etanol corta 0,5 ponto, enquanto flex não ganha bônus nesse critério

Na tabela do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o carro de passeio parte de 6,3%.

No primeiro critério, dedicado à fonte de energia e à tecnologia de propulsão, o etanol recebe -0,5 ponto e o flex fica em 0.

Portanto, um veículo 100% etanol começa essa etapa da conta em 5,8%, enquanto um flex permanece em 6,3%. A diferença existe, contudo, ainda faltam quatro avaliações.

EtapaPode alterar a alíquota?
Fonte de energia/propulsãoSim — etanol recebe -0,5 ponto
Eficiência energéticaSim
PotênciaSim
Estrutura e assistências à direçãoSim
ReciclabilidadeSim

Potência sozinha pode acrescentar ou retirar pontos

O critério de potência mostra por que não dá para parar a conta em 5,8%.

  • Veículos de até 55 kW recebem redução de 2,15 pontos;
  • Faixas mais altas podem acrescentar pontos ao imposto;
  • Acima de 290 kW, o acréscimo chega a 6,5 pontos.

Isso significa que dois carros 100% etanol podem terminar com alíquotas diferentes mesmo usando exatamente o mesmo combustível.

Basta que tenham potência, eficiência ou desempenho estrutural distintos.

Poso de gasolina, bomba de etanol
Imagem: Reprodução

Eficiência, segurança e reciclabilidade também entram na fórmula

A eficiência energética pode reduzir a alíquota em até 2 pontos. O atendimento ao critério de desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção pode retirar mais 1 ponto.

Já a reciclabilidade pode gerar redução de até 2 pontos conforme o enquadramento.

O desenho é de bônus e malus: características consideradas mais favoráveis reduzem a carga, enquanto outras elevam a alíquota.

Por isso, usar apenas o tipo de combustível para anunciar o IPI final simplifica demais a regra.

IPI zero é outra categoria e exige registro de versão sustentável

O Decreto 12.549/2025 prevê ainda alíquota de 0% para versões que obtenham o registro de veículo sustentável do MDIC e cumpram um conjunto específico de requisitos, como:

  • Limite de emissão de CO2 no ciclo do poço à roda;
  • Reciclabilidade;
  • Etapas fabris no Brasil; e
  • Categoria do veículo.

Essa regra também não deve ser confundida com o simples fato de um automóvel rodar só com etanol.

O combustível pode ajudar na conta, porém, não substitui os demais requisitos.

Jeep Commander Blackhawk Flex (5)
Imagem: Divulgação/Jeep

Como interpretar um futuro carro 100% etanol

Se uma montadora apresentar um modelo dedicado ao etanol, a informação correta é que ele recebe um bônus de 0,5 ponto no primeiro critério do IPI para automóveis de passageiros.

A alíquota final só aparece depois de aplicar os outros quatro critérios ao veículo específico.

Em um mercado no qual poucos pontos percentuais podem mudar o preço de entrada, essa diferença é relevante.

Ainda assim, 5,8% deve ser tratado como uma etapa possível da conta, e não como um imposto garantido para qualquer carro a etanol.

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