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Combustível adulterado pode causar prejuízo; saiba como perceber

Abastecer o carro com combustível adulterado pode gerar consequências muito mais sérias do que apenas aumento no consumo. Dependendo do tipo de fraude e do tempo de uso, o problema pode atingir sistema de injeção, bombas, catalisador e até componentes internos do motor.

    Gasolina, etanol e diesel podem sofrer diferentes tipos de adulteração. Por isso, observar mudanças no funcionamento do veículo e tomar alguns cuidados na hora de abastecer são formas importantes de evitar um prejuízo que pode chegar a milhares de reais.

    Combustível adulterado pode afetar o motor

    Entre janeiro e agosto de 2026, a ANP realizou 8.971 fiscalizações e encontrou 525 casos de irregularidades relacionadas à qualidade ou quantidade do combustível.

    Em outro levantamento, realizado pelo Instituto Combustível Legal por meio do programa Cliente Misterioso, foram identificadas inconformidades em 681 das 2.101 coletas realizadas no mesmo período.

    Os danos variam conforme o combustível, o tipo de adulteração e a tecnologia utilizada pelo veículo.

    Motores modernos, principalmente os equipados com turbo e injeção direta, tendem a ser ainda mais sensíveis a produtos fora das especificações.

    Foto: Reprodução/Ipem e Inmetro

    Gasolina adulterada pode provocar danos graves

    Um dos problemas ocorre quando há excesso de etanol na gasolina.

    Nos carros flex, isso tende a afetar principalmente a eficiência e o bolso do motorista. Já em veículos desenvolvidos apenas para gasolina, a mistura fora do padrão pode acelerar corrosão, ressecar mangueiras e provocar falhas no sistema de alimentação.

    A situação fica mais grave quando são adicionados solventes industriais.

    Esses produtos podem reduzir a octanagem, provocar batida de pino, contaminar o óleo lubrificante, atacar peças de borracha e entupir os bicos injetores.

    Em situações extremas, os danos podem alcançar pistões, anéis, bombas de combustível e catalisadores.

    Etanol com água também traz problemas

    No etanol, uma fraude comum é a adição excessiva de água.

    A legislação permite até 7%, mas concentrações superiores podem favorecer corrosão e falhas no sistema de injeção.

    Também existe risco de separação da mistura quando esse etanol entra em contato com gasolina, prejudicando a combustão.

    Outro contaminante possível é o metanol, que possui características diferentes de corrosividade e pode afetar o conjunto mecânico.

    Diesel adulterado prejudica bombas e injetores

    No diesel, a fraude pode envolver quantidade inadequada de biodiesel ou a adição de produtos como querosene e nafta.

    Como o próprio diesel ajuda na lubrificação e refrigeração de determinados componentes, mudanças na composição podem prejudicar principalmente a bomba de alta pressão e os bicos injetores.

    Também podem surgir problemas no filtro de partículas DPF e no sistema SCR.

    Até o Arla 32 pode sofrer adulterações, com risco de cristalização, entupimento, falhas em sensores e redução do desempenho do veículo.

    Como perceber combustível adulterado

    O carro costuma apresentar alguns sinais quando recebe um produto fora da especificação.

    Dificuldade para ligar, marcha lenta irregular, perda de potência, falhas durante acelerações e aumento repentino no consumo estão entre os sintomas mais comuns.

    Também podem aparecer batida de pino, falhas de injeção e defeitos prematuros em bombas, velas, injetores e componentes do sistema de emissões.

    Como reduzir o risco ao abastecer

    Uma das principais recomendações é priorizar postos conhecidos e observar se as bombas estão devidamente lacradas e identificadas.

    O consumidor também pode solicitar o teste de proveta para verificar a quantidade de etanol presente na gasolina.

    Outro direito é pedir o teste de vazão para conferir se o volume entregue realmente corresponde ao registrado pela bomba.

    No caso do etanol, o termodensímetro instalado na bomba também ajuda a indicar se o combustível está dentro da especificação.

    Ao perceber qualquer mudança de comportamento logo após abastecer, vale evitar continuar rodando normalmente e procurar avaliação mecânica. Quanto mais cedo o problema for identificado, menor tende a ser o risco de danos mais caros.

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