Arreda aí

Move Brasil aprova menos de 10% do crédito para compra de veículos

O Move Brasil ainda avança em ritmo bem mais lento do que o esperado entre taxistas e motoristas de aplicativo. Mesmo com uma linha bilionária de financiamento disponível para a compra de veículos novos, boa parte dos recursos segue sem aprovação.

O cenário contrasta com etapas anteriores do programa e ajuda a explicar por que o governo decidiu ampliar recentemente o teto dos carros elegíveis e o prazo máximo para pagamento.

Apenas 7,3% do crédito foi aprovado no Move Brasil

Dos R$ 30 bilhões disponibilizados pelo Move Brasil, cerca de R$ 2,2 bilhões haviam sido aprovados até julho de 2026.

Isso representa somente 7,3% do total reservado para o programa.

A diferença é grande em relação às fases anteriores. No Move Brasil I, foram aprovados R$ 9,4 bilhões dos R$ 10 bilhões disponíveis, equivalente a 94%.

Já no Move Brasil II, o volume chegou a R$ 20 bilhões de um total de R$ 21,2 bilhões, ou aproximadamente 94,3%.

Essas etapas anteriores, porém, tinham foco principalmente na renovação de frotas de veículos pesados.

Aprovação no programa não garante financiamento

Uma das principais explicações para a baixa utilização está na própria análise de crédito.

O motorista pode atender aos requisitos do Move Brasil e ser considerado elegível, mas isso não obriga o banco a liberar o financiamento.

As instituições financeiras continuam analisando renda, endividamento, histórico de pagamentos, score e capacidade de assumir as parcelas.

Dessa forma, profissionais que estejam dentro das regras do programa podem receber uma resposta negativa na etapa bancária.

No início da operação, também houve dificuldades relacionadas à adaptação dos sistemas das instituições financeiras. Depois da normalização, a análise de risco passou a ser um dos maiores obstáculos.

Fundo garantidor ganhou importância

Para reduzir parte do risco das operações, o Fundo Garantidor para Investimentos passou a ter papel importante dentro do programa.

O mecanismo ajuda a oferecer garantias aos bancos em determinados financiamentos.

Ainda assim, isso não elimina a avaliação individual de cada cliente.

O perfil dos profissionais atendidos é considerado de maior risco médio pelas instituições financeiras, o que torna o processo de aprovação mais restritivo.

Teto passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil

Diante da adesão abaixo das expectativas, as regras foram alteradas em agosto.

O valor máximo da nota fiscal dos veículos passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil.

Com a mudança, a cobertura do programa teria aumentado de 63% para 88% dos modelos disponíveis no mercado brasileiro.

Isso abriu espaço para SUVs maiores, híbridos e outras versões que anteriormente ultrapassavam o limite permitido.

Além disso, o prazo máximo de financiamento subiu de 72 para 84 meses, equivalente a sete anos.

Mesmo com o novo teto de R$ 200 mil, o valor médio das operações contratadas fica entre R$ 100 mil e R$ 102 mil.

Mais de 60 carros já participam do programa

A inclusão dos veículos não é automática.

Cada fabricante decide se participa do Move Brasil e quais versões serão oferecidas com condições específicas para taxistas e motoristas de aplicativo.

Até agora, mais de 60 carros já aparecem dentro das condições do programa.

A ampliação do limite para R$ 200 mil permitiu ainda que outros 17 modelos passassem a se enquadrar no teto estabelecido.

Parcelas flexíveis ainda dependem de sanção

Outra mudança poderá facilitar o acesso ao financiamento futuramente.

O Senado aprovou em 1º de setembro uma proposta que permite aos bancos oferecerem parcelas com valores diferentes ao longo do contrato.

Isso poderia permitir prestações menores em determinados períodos e maiores em outros, dependendo do planejamento financeiro do motorista.

O texto também limita o benefício a um veículo por profissional e permite incluir custos como seguro, seguro prestamista e determinadas adaptações no financiamento.

Entretanto, a medida ainda não deve ser considerada disponível, pois segue para sanção presidencial.

Por enquanto, o principal desafio do Move Brasil continua sendo transformar a elegibilidade dos motoristas em crédito efetivamente aprovado. Dos R$ 30 bilhões disponíveis, os R$ 2,2 bilhões autorizados até julho mostram que a maior parte dos recursos ainda permanece sem utilização.

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