A Uber está apostando em uma nova forma de manter o motorista ocupado por mais tempo dentro da plataforma: o chamado pacote de viagens. A ideia parece interessante em um primeiro momento, principalmente para quem reclama do tempo parado entre uma corrida e outra.
Porém, antes de aceitar automaticamente essas ofertas, o motorista precisa olhar além da quantidade de viagens e fazer uma conta mais importante: quanto realmente sobra no bolso depois de combustível, manutenção e quilômetros rodados?
Como funciona o pacote de viagens da Uber?
A proposta é combinar duas solicitações em uma mesma oferta.
Isso pode significar duas corridas ou até uma corrida acompanhada de uma entrega. Não quer dizer que o motorista levará dois passageiros ao mesmo tempo.
O funcionamento acontece em sequência. Primeiro, o motorista realiza uma viagem normalmente. Depois de finalizar, já terá outra solicitação incluída no pacote para continuar trabalhando.
A própria Uber já utiliza solicitações consecutivas como forma de reduzir o período de espera entre uma viagem e outra.
Na teoria, parece ótimo: menos tempo parado e mais corridas.
Quer saber mais detalhes? Assista ao vídeo abaixo do Portal Sua Rotina:
Mais viagens não significam necessariamente mais lucro na Uber
É justamente aqui que o motorista precisa ter atenção.
Imagine receber uma oferta combinada de R$ 20, R$ 30, R$ 40 ou R$ 50. O valor total pode chamar atenção, mas será necessário analisar quanto será percorrido nas duas corridas e quanto tempo todo o pacote exigirá.
Quando duas solicitações aparecem juntas, calcular rapidamente o ganho por quilômetro pode ficar mais difícil.
Assim, existe o risco de o motorista olhar apenas para o valor total e aceitar uma sequência que individualmente não faria sentido.
Uma corrida ruim pode acabar sendo escondida dentro de outra aparentemente mais interessante.
Menos tempo escolhendo corridas pode ser um problema
A promessa de reduzir o tempo ocioso também merece uma análise cuidadosa.
Para o motorista, ficar alguns minutos sem passageiro nem sempre significa perder dinheiro. Esse período também permite analisar as solicitações e escolher aquelas que apresentam melhor relação entre distância, tempo e valor pago.
Ao emendar viagens automaticamente, esse poder de seleção pode diminuir.
Por isso, o motorista não deve considerar apenas a sensação de estar trabalhando constantemente. Rodar mais quilômetros não significa necessariamente ganhar mais dinheiro.
Tarifa dinâmica também merece atenção
Outro ponto é o impacto que esse tipo de sistema pode ter sobre períodos de maior demanda.
Se mais motoristas permanecerem ocupados em sequências de viagens e aceitarem solicitações com maior frequência, existe a possibilidade de mudanças na dinâmica da oferta de corridas.
Isso não significa que o pacote necessariamente acabará com a tarifa dinâmica. Porém, é um fator que o motorista deve observar conforme a função ganhar escala.
O preço das viagens da Uber pode variar conforme fatores como distância, tempo estimado e demanda no momento da solicitação.
Motorista precisa fazer a própria conta
O pacote de viagens pode funcionar para determinados trajetos. O problema começa quando ele é aceito apenas porque apresenta duas corridas juntas.
Antes de confirmar, o ideal é avaliar valor total, quilômetros percorridos, tempo estimado e destino final.
No aplicativo, movimento não é sinônimo de lucro. Para o motorista, o objetivo não deve ser passar o máximo de tempo possível com passageiros no carro, mas garantir que cada quilômetro rodado realmente compense os custos do veículo.
Sou Vanessa Giselle, redatora do Portal Sua Rotina, onde acompanho e produzo conteúdos sobre o universo das motos, lançamentos, mercado e tendências do setor. Agora, trago essa bagagem também para o mundo dos carros, com foco em informações úteis, novidades, tecnologia, consumo e tudo que ajuda o leitor a entender melhor o mercado automotivo.