O Renault Boreal Techno passou por um teste de mais de 1.500 km para mostrar o que realmente entrega longe do ambiente controlado de uma concessionária.
Na estrada e também no uso urbano, o SUV médio revelou características que podem pesar bastante na decisão de compra, tanto de forma positiva quanto negativa.
Produzido em São José dos Pinhais (PR), sobre a plataforma RGMP, o Boreal tem a missão de ampliar a presença da Renault em uma das categorias mais disputadas do mercado brasileiro. A versão Techno ocupa justamente o meio da gama e tenta equilibrar preço, tecnologia, desempenho e segurança.
Motor 1.3 turbo mostra força nas ultrapassagens

Debaixo do capô, o Renault Boreal Techno usa o motor 1.3 TCe turbo flex, que desenvolve 163 cv e 27,5 kgfm de torque. Ele trabalha em conjunto com uma transmissão EDC de dupla embreagem úmida.
Na prática, o conjunto mostrou boa disposição principalmente em rodovias. As retomadas acontecem com agilidade e, consequentemente, ultrapassagens podem ser executadas sem exigir tanto planejamento do motorista.
Além disso, o câmbio consegue realizar mudanças rápidas porque trabalha com duas embreagens. Quem prefere assumir maior controle também encontra paddle shifts atrás do volante para selecionar as marchas manualmente.
Entretanto, a resposta do acelerador muda bastante conforme o modo escolhido.
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Modo Eco deixa respostas mais lentas
No Eco, existe um atraso perceptível ao pressionar o acelerador. Embora isso faça sentido dentro da proposta de reduzir o consumo, a sensação pode incomodar principalmente quando é necessário ganhar velocidade rapidamente.
Por outro lado, selecionar o modo Sport transforma a resposta do carro. O acelerador fica mais imediato e o comportamento passa a combinar melhor com os 163 cv disponíveis.
Consumo do Boreal muda bastante entre etanol e gasolina
O longo percurso também permitiu avaliar o consumo utilizando os dois combustíveis. Como boa parte dos quilômetros ocorreu em rodovia, o cenário favoreceu médias superiores às encontradas normalmente no trânsito urbano.
Com etanol, foram percorridos aproximadamente 320 km. Nesse trecho, o computador registrou média de 11,6 km/l.
Depois, o tanque recebeu gasolina e o SUV enfrentou outros 370 km. A média, então, avançou para 13,5 km/l.
Assim, o resultado mostra que o Boreal consegue entregar números interessantes para um SUV desse porte, embora a escolha entre gasolina e etanol dependa diretamente da diferença de preço encontrada nos postos.
Suspensão acerta no equilíbrio entre conforto e estabilidade

Outro ponto que se destacou ao longo dos 1.500 km foi o comportamento da suspensão. O Boreal utiliza sistema McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira.
Apesar de não adotar uma suspensão traseira independente, o SUV mantém bom equilíbrio em diferentes tipos de piso. Além disso, a calibração absorve irregularidades sem deixar a carroceria excessivamente solta em velocidades maiores.
A Renault desenvolveu essa configuração pensando nas características das vias sul-americanas. O trabalho de acerto passou pela equipe da Renault Tecnologia Américas e também por testes realizados no Autódromo Oscar Cabalén, na Argentina.
Como resultado, o Boreal consegue combinar conforto na cidade com segurança ao enfrentar trechos rodoviários.
A distância livre do solo de 21,3 cm também ajuda. Consequentemente, o motorista fica em posição elevada e encontra boa visibilidade ao redor do veículo.
Cinco modos de condução mudam o comportamento do SUV
A partir da versão Techno, o Boreal oferece cinco configurações de condução:
- Eco;
- Comfort;
- Sport;
- Smart;
- Perso.
O motorista pode selecioná-las pela central multimídia ou por um comando giratório instalado no console.
Dessa maneira, é possível priorizar economia, respostas mais rápidas ou simplesmente deixar o próprio veículo adaptar alguns parâmetros ao estilo de condução.
Boreal Techno amplia pacote de segurança
A versão Techno também se diferencia da Evolution, configuração de entrada, pelo pacote de equipamentos. Entre os detalhes externos estão rodas de liga leve pretas de 18 polegadas, barras longitudinais no teto e antena do tipo shark.
Além disso, o painel de instrumentos digital possui 10 polegadas. A lista de assistentes de segurança inclui sensores de estacionamento dianteiros e laterais, alerta de ponto cego, alerta de saída segura dos ocupantes e aviso de tráfego cruzado traseiro.
Também há assistente de permanência em faixa capaz de atuar quando o sistema identifica uma situação relacionada ao ponto cego.
Portanto, a configuração intermediária já reúne uma quantidade relevante de tecnologias sem exigir a compra da versão mais cara.
Interior aposta em espaço, conforto e acabamento

Dentro da cabine, o Renault Boreal Techno mantém uma proposta mais sofisticada. O painel superior e áreas das portas recebem materiais macios ao toque, o que ajuda a elevar a sensação de qualidade.
Os bancos dianteiros também contam com ajustes elétricos. O passageiro, inclusive, pode regular a altura do assento, recurso que nem sempre aparece em modelos concorrentes.
Além disso, mesmo depois de longos períodos ao volante, os bancos demonstraram bom nível de conforto. As abas laterais também seguram adequadamente o corpo durante curvas.
Na segunda fileira, há espaço suficiente para transportar três passageiros com bom nível de acomodação. Os ocupantes ainda encontram saídas de ar-condicionado e duas conexões USB-C.
Multimídia agrada, mas painel e som poderiam ser melhores
A central multimídia possui interface simples e conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto. Portanto, acessar as principais funções não exige grandes períodos de adaptação.
O sistema de áudio Arkamys utiliza seis alto-falantes e funciona bem em condições normais. Contudo, volumes elevados e graves mais intensos podem provocar alguma perda de definição.
Nesse aspecto, a versão topo de linha possui vantagem ao oferecer sistema Harman Kardon com dez alto-falantes.
Outro detalhe menos convincente aparece no painel digital. A taxa de atualização poderia ser maior e, em algumas situações, transmite uma percepção inferior à esperada para um veículo dessa faixa.
Porta-malas é um dos argumentos mais fortes
Além do espaço para os passageiros, o Boreal entrega 522 litros de porta-malas pelo padrão VDA. Ao rebater os bancos traseiros, a capacidade sobe para 1.279 litros.
Com isso, o modelo ganha um argumento importante para famílias ou compradores que viajam frequentemente e precisam transportar bastante bagagem.
Renault Boreal Techno vale a pena?
Depois de mais de 1.500 km, o Renault Boreal Techno mostrou um conjunto bastante equilibrado. O motor 1.3 turbo tem boas respostas, o câmbio combina bem com a proposta e a suspensão consegue entregar conforto sem comprometer o comportamento em rodovias.
Além disso, espaço interno, porta-malas de 522 litros, posição elevada e pacote de segurança fortalecem a versão intermediária.
Porém, existem pontos que merecem atenção. A lentidão do acelerador no modo Eco, a baixa fluidez percebida no painel digital e as limitações do sistema de áudio em volumes altos impedem uma experiência mais refinada.
Ainda assim, dentro da linha Boreal, a Techno surge justamente como a configuração que tenta colocar na balança os principais equipamentos sem obrigar o consumidor a migrar diretamente para a versão topo de linha.
Sou Vanessa Giselle, redatora do Portal Sua Rotina, onde acompanho e produzo conteúdos sobre o universo das motos, lançamentos, mercado e tendências do setor. Agora, trago essa bagagem também para o mundo dos carros, com foco em informações úteis, novidades, tecnologia, consumo e tudo que ajuda o leitor a entender melhor o mercado automotivo.