A Hyundai prepara uma das maiores ofensivas de produtos de sua história até 2030. A fabricante confirmou que pretende lançar mais de 100 carros globalmente nos próximos anos, considerando modelos inéditos, novas gerações e atualizações importantes de veículos já conhecidos.
A estratégia envolve também a Genesis e a divisão esportiva N, com forte expansão de híbridos e elétricos. O plano ainda prevê aumento de produção, novas tecnologias de bateria e até a utilização de robôs humanoides nas fábricas. Para o Brasil, embora a apresentação não tenha detalhado o cronograma, alguns lançamentos já estão encaminhados.
Hyundai terá mais de 100 lançamentos até 2030
Do total planejado, 18 veículos serão completamente inéditos. Os demais lançamentos envolvem trocas de geração, reestilizações e adaptações para diferentes mercados.
A América do Norte receberá a maior quantidade de novidades, com 58 lançamentos, reflexo da importância da região para a empresa. Atualmente, cerca de 32% das vendas globais da Hyundai estão concentradas principalmente nos Estados Unidos.
Na Coreia do Sul serão 49 novidades, enquanto a Europa receberá 41. A Índia terá 26 lançamentos e a China, outros 22.
Esses números não podem simplesmente ser somados, pois um mesmo carro pode ser contabilizado em diferentes regiões.
Brasil ficou fora da apresentação, mas terá novidades
Um detalhe chamou atenção: América do Sul e Brasil não apareceram de forma específica no planejamento apresentado aos investidores.
Isso acontece mesmo com a região representando aproximadamente 8% das vendas globais da Hyundai.
Ainda assim, há pelo menos quatro produtos importantes previstos para o mercado brasileiro, além do i20 lançado em 2026.
O primeiro deverá ser o Hyundai Bayon, SUV compacto com previsão de produção nacional e estreia esperada para 2027.
Depois, a marca prepara uma nova geração do Creta, cujo projeto deverá ser unificado ao Kona a partir de 2028.
Também estão previstas duas novas picapes.
Hyundai prepara duas picapes com participação da GM
Entre os projetos destinados ao mercado sul-americano estão uma picape intermediária e outra de porte médio.
Os produtos fazem parte da parceria entre Hyundai e General Motors para desenvolvimento e compartilhamento de novos veículos.
Essa cooperação também deverá alcançar a próxima geração de alguns SUVs da fabricante.
Detalhes técnicos, nomes e preços ainda não foram revelados, mas o projeto mostra que a Hyundai pretende ampliar sua atuação no Brasil para além dos SUVs e hatches que hoje formam boa parte de sua gama.
Tucson terá sistema híbrido pleno
A eletrificação será uma das bases do novo ciclo de produtos.
A próxima geração do Hyundai Tucson já está confirmada com versões híbridas plenas, conhecidas pela sigla HEV.
Nesse tipo de sistema, o motorista não precisa conectar o veículo a uma tomada. A bateria é recarregada durante o funcionamento e nas frenagens, enquanto motor a combustão e elétrico trabalham de forma combinada.
O novo Tucson começa a chegar aos primeiros mercados ainda em 2026.
Santa Fe será o primeiro REEV da Hyundai
Outra novidade importante será uma configuração de autonomia estendida.
O Santa Fe será o primeiro Hyundai equipado com sistema REEV, com lançamento previsto para o início de 2027.
Nesse tipo de conjunto, o motor a combustão pode funcionar principalmente como gerador de energia para o sistema elétrico, dependendo da configuração adotada.
A tecnologia surge como alternativa para consumidores que desejam maior utilização da propulsão elétrica sem depender exclusivamente da infraestrutura de recarga.
Genesis também entra de vez na eletrificação
A Genesis, divisão de luxo do grupo, seguirá o mesmo caminho.
O GV80 será o primeiro híbrido da marca, com lançamento previsto para o próximo mês.
Ao longo de 2027, a empresa pretende revelar também seu primeiro veículo de autonomia estendida.
Além disso, a Hyundai trabalha no desenvolvimento de baterias específicas para diferentes segmentos.
Para carros de luxo, está prevista uma solução de alta densidade energética e capacidade de recarga ultrarrápida.
Já para produtos mais acessíveis, a empresa prepara uma bateria NMC com teor intermediário de níquel e custo próximo ao de conjuntos LFP.
Meta é ter 60% das vendas eletrificadas
A estratégia tem um objetivo ambicioso.
Até 2030, a Hyundai pretende que 60% de suas vendas globais sejam formadas por carros híbridos ou elétricos.
Isso corresponderia a aproximadamente 3,3 milhões de veículos eletrificados por ano.
A projeção considera que a empresa alcance 5,5 milhões de vendas anuais ao final da década.
Em 2025, foram 4,1 milhões de unidades comercializadas globalmente.
Caso a meta seja atingida, o crescimento será de aproximadamente 34% em relação ao volume registrado naquele ano.
Produção mundial também será ampliada
Para sustentar o crescimento, a Hyundai pretende aumentar sua capacidade produtiva global em 1,27 milhão de veículos por ano.
Somente nos Estados Unidos, a expansão prevista chega a 500 mil unidades anuais.
O plano acompanha a estratégia de produzir mais veículos próximos aos mercados onde serão vendidos, reduzindo dependência de importações e aumentando a flexibilidade industrial.
Robôs humanoides entrarão nas fábricas em 2028
Um dos pontos mais controversos envolve a automação.
A Hyundai pretende iniciar em 2028 a produção em série com auxílio de robôs humanoides nos Estados Unidos.
A capacidade inicial do projeto será de 30 mil unidades anuais, com possibilidade de expansão para outros países a partir de 2030.
A decisão já provocou questionamentos de trabalhadores e sindicatos.
Segundo o CEO da Hyundai Motor Company, José Muñoz, a intenção é utilizar os robôs principalmente em atividades repetitivas ou consideradas perigosas, complementando o trabalho humano em vez de simplesmente substituí-lo.
Hyundai prepara transformação até o fim da década
Os mais de 100 lançamentos mostram que a Hyundai pretende mudar significativamente sua gama até 2030.
A estratégia combina novos carros, crescimento industrial, híbridos, elétricos, baterias mais baratas e automação de fábricas.
No Brasil, ainda faltam confirmações oficiais para boa parte desse calendário. Entretanto, Bayon, nova geração do Creta e as duas futuras picapes já mostram que o país também deverá receber reflexos importantes dessa ofensiva.
A diferença é que, desta vez, a expansão da Hyundai não será medida apenas pela quantidade de modelos. Eletrificação e novas tecnologias industriais serão peças centrais para a fabricante tentar chegar a 5,5 milhões de veículos vendidos por ano até o fim da década.