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Volkswagen avança nos carros elétricos, mas paga caro por isso

A Volkswagen conseguiu uma mudança importante em seu mercado doméstico. Pela primeira vez na Alemanha, os pedidos por carros elétricos superaram os de modelos a combustão, mostrando uma mudança clara no comportamento dos consumidores.

A renovação da família ID ajudou a acelerar esse movimento, assim como a chegada de modelos mais acessíveis. Um dos destaques é o Volkswagen ID. Polo, que já acumulou mais de 40 mil pedidos na Europa.

O crescimento, porém, também trouxe novos desafios. A Volkswagen precisa adaptar fábricas, reorganizar turnos e equilibrar uma operação que ainda foi construída principalmente para produzir veículos a combustão.

Fábricas de elétricos aumentam o ritmo

A mudança na demanda aparece de forma diferente em cada fábrica da Volkswagen.

As unidades de Emden e Zwickau, mais voltadas para modelos elétricos, aumentaram os turnos para atender à procura por veículos como ID.7 e ID.3.

Em Wolfsburg, o cenário é praticamente o oposto.

A principal fábrica da Volkswagen continua concentrada em modelos tradicionais, como Golf, Tiguan e Tayron, e enfrenta redução de jornadas adicionais diante de uma procura menor pelos carros a combustão.

A unidade deve terminar o ano com produção abaixo da meta inicial de 600 mil veículos.

Essa diferença mostra o tamanho do desafio: enquanto algumas plantas precisam fabricar mais elétricos, outras ainda possuem grande capacidade direcionada a modelos que começam a perder espaço.

Carro elétrico exige menos mão de obra

O crescimento dos elétricos também afeta diretamente os custos da empresa.

A fabricação de um carro a bateria utiliza menos componentes mecânicos e exige menos etapas de montagem do que um veículo com motor a combustão.

Isso pode reduzir a necessidade de mão de obra em determinadas áreas da produção.

Ao mesmo tempo, os carros elétricos ainda costumam pressionar as margens das fabricantes por causa dos custos elevados de baterias, desenvolvimento de novas plataformas e necessidade de investir em tecnologias específicas.

Por isso, vender mais elétricos não significa necessariamente aumentar o lucro na mesma proporção.

(Volkswagen/Divulgação)

Volkswagen prepara mudanças em Wolfsburg

A fabricante já trabalha em uma reorganização mais ampla de sua produção.

Um dos planos prevê a transferência da montagem do Golf a combustão para o México até o fim de 2027.

A medida abriria espaço em Wolfsburg para uma nova fase da fábrica, que deverá receber as futuras gerações totalmente elétricas do Golf e do T-Roc.

Com isso, uma das unidades mais tradicionais da Volkswagen passaria gradualmente a concentrar produtos movidos exclusivamente a bateria.

Mudança traz oportunidade e custo

O avanço dos elétricos mostra que a estratégia da Volkswagen começa a ganhar força no mercado europeu, mas a transição ainda cobra um preço elevado.

A marca precisa investir em novas plataformas, adaptar suas fábricas e redimensionar estruturas criadas durante décadas para os carros a combustão.

Ao mesmo tempo, o aumento dos pedidos por modelos como ID.3, ID.7 e ID. Polo indica que a procura finalmente começa a acompanhar os investimentos feitos pela fabricante.

A Volkswagen, portanto, entra em uma nova fase: vende cada vez mais elétricos, mas ainda precisa transformar sua própria estrutura industrial para conseguir ganhar dinheiro com essa mudança.

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