A promessa de recompra por 80% da Tabela Fipe parece uma proteção contra desvalorização, mas o programa da BYD funciona de outra forma.
Ele é um benefício condicionado à troca por outro carro da própria marca e depende do histórico de uso do veículo.
Para saber se essa vantagem vale na decisão de compra, o melhor é olhar menos para o número de 80% e mais para o perfil do motorista.
Quem roda muito pode ficar fora antes dos 48 meses
A regra oficial exige no máximo 48 mil km e média de até 1.000 km por mês. Os dois critérios precisam ser atendidos.
Na prática, 1.000 km mensais equivalem a cerca de 33 km por dia em uma média de 30 dias.
Quem percorre 1.500 km mensais, por exemplo, alcançaria 18 mil km em um ano e já estaria acima da média permitida, mesmo muito distante do teto total de 48 mil km.
| Uso médio | Km em 12 meses | Compatível com limite mensal? |
|---|---|---|
| 700 km/mês | 8.400 km | Sim |
| 1.000 km/mês | 12.000 km | No limite |
| 1.500 km/mês | 18.000 km | Não |
Os 80% também exigem continuar cliente da BYD
O programa não é uma promessa de compra em dinheiro para qualquer finalidade.
A concessionária participante recompra o usado dentro da troca por outro BYD de modelo igual ou superior, e o novo veículo precisa atender ao critério de valor previsto no regulamento.
Isso transforma a recompra em uma ferramenta de fidelização.
- Para quem já pretende permanecer na marca, pode funcionar como previsibilidade adicional.
- Para quem gosta de trocar de fabricante a cada compra, o benefício perde boa parte da utilidade.

Revisão fora da rede pode custar o benefício
Outro ponto decisivo é o histórico de manutenção.
A BYD exige as revisões previstas realizadas em concessionária autorizada no Brasil, além do manual completo e de uma série de condições de conservação.
O carro passa por vistoria da concessionária e laudos ECV e cautelar.
Alterações que afetem funcionamento, dirigibilidade ou durabilidade também podem impedir a recompra.
Então a recompra protege contra desvalorização?
Ela cria um piso condicionado dentro de uma operação específica, mas não elimina o risco de desvalorização do carro no mercado aberto.
A Fipe vigente no momento da troca já reflete a cotação média do modelo, e o programa garante 80% dessa referência somente se todas as regras forem cumpridas.
Por isso, a pergunta certa antes da compra não é apenas “a BYD garante 80% da Fipe?”.
É: “eu consigo ficar dentro das condições durante os próximos anos e quero trocar por outro BYD?”.
Se a resposta for sim, o programa pode ser relevante.
Se o motorista roda muito, modifica o carro, faz manutenção fora da rede ou pretende mudar de marca, é mais prudente avaliar a compra sem contar com essa recompra como certeza futura.

Sou entusiasta do universo automotivo e acompanho de perto as principais novidades do setor, especialmente quando o assunto envolve carros híbridos e elétricos. Gosto de compartilhar informações sobre tecnologia, inovação, consumo, lançamentos e tendências que estão transformando a mobilidade no Brasil e no mundo.