Arreda aí

Carro com tudo na tela pode perder pontos de segurança: Euro NCAP muda avaliação em 2026

Central multimídia enorme deixou de ser sinônimo automático de cabine moderna.

Em 2026, o Euro NCAP passou a avaliar com mais atenção a interface entre motorista e veículo, incluindo posição, clareza e facilidade de uso dos comandos essenciais.

Na prática, isso coloca uma pergunta nova na compra de um carro:

  • Quantos toques e quanto tempo de olhar para a tela são necessários para fazer uma tarefa comum enquanto se dirige?

Por que a tela virou tema de segurança?

O Euro NCAP afirma que sua nova avaliação de interface considera a disponibilidade de botões físicos para funções de uso frequente.

A justificativa é reduzir distrações e facilitar ações que precisam ser feitas rapidamente.

Isso não significa que telas grandes serão penalizadas apenas por existirem.

O problema aparece quando funções importantes ficam escondidas em menus, mudam de posição com atualizações ou exigem atenção visual demais.

Interior do Caoa Chery Tiggo 7 2027
Imagem: Divulgação/CAOA Chery

Botão físico voltou a ser vantagem?

Para algumas tarefas, sim. Um comando físico oferece referência tátil.

Assim, depois de conhecer o carro, o motorista consegue localizar e operar determinados controles sem desviar o olhar pelo mesmo tempo exigido por um menu digital.

Fabricantes também reconhecem o custo dessa escolha.

A Renault, por exemplo, já declarou que manter atalhos e botões físicos custa mais do que concentrar funções na tela.

Contudo, ela decidiu preservar controles diretos em áreas consideradas importantes.

O movimento ajuda a explicar por que modelos recentes voltaram a combinar display grande com teclas, comandos no volante e atalhos permanentes.

Como testar a ergonomia antes de comprar?

  • tente ajustar temperatura e ventilação sem explorar submenus;
  • procure pisca-alerta e funções de iluminação rapidamente;
  • mude volume e mídia mantendo os olhos o máximo possível na direção da via;
  • observe se atalhos desaparecem quando a tela muda de página;
  • teste comandos no volante e por voz, se disponíveis.

O ideal é fazer esse teste com o carro parado na concessionária. A experiência de cinco minutos já mostra se tarefas simples exigem uma sequência longa de toques.

Interior do Omoda E5 2027
Imagem: Divulgação/Omoda

Isso muda as estrelas do carro?

O Euro NCAP reorganizou seus protocolos de 2026 em quatro etapas de segurança e incluiu uma avaliação mais ampla da relação entre motorista, sistemas de assistência e interface.

Para alcançar as melhores classificações, não basta ter muitos sensores: o carro precisa ajudar o condutor a permanecer atento e a usar seus recursos com clareza.

Como o Euro NCAP não é um órgão regulador brasileiro, a mudança não obriga montadoras a redesenhar carros vendidos aqui.

Mesmo assim, suas notas influenciam desenvolvimento de produtos globais e ajudam a transformar ergonomia em critério comparável.

Para quem compra, a consequência é útil, pois, além de potência, tela e conectividade, vale avaliar quanto esforço o carro exige para executar o básico.

Uma cabine bonita pode ser excelente no showroom e cansativa no trânsito se tudo depender de navegar pela multimídia.

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