A Stellantis decidiu reduzir a produção da Fiat Titano e da Ram Dakota na Argentina depois que as duas picapes ficaram abaixo das expectativas comerciais. A fábrica de Ferreyra, em Córdoba, passou a operar com apenas um turno dedicado aos modelos, enquanto a projeção de produção para 2026 também foi revista para baixo.
Produção de Titano e Dakota cai quase 40%
O planejamento inicial da Stellantis previa a fabricação de 27 mil unidades de Fiat Titano e Ram Dakota durante 2026. No entanto, diante da procura abaixo do esperado nos mercados atendidos pela fábrica argentina, principalmente nas exportações, a projeção caiu para aproximadamente 16,5 mil unidades.
Na prática, isso representa uma redução próxima de 40%.
A Ram Dakota concentra boa parte da revisão. A expectativa inicial era produzir 18 mil unidades durante o ano, mas esse número foi reduzido para cerca de 12 mil.
Além disso, entre setembro e dezembro, a previsão passou de 8 mil para apenas 3 mil unidades.
Fiat Titano também tem produção reduzida
A Fiat Titano enfrenta situação semelhante. A Stellantis planejava fabricar 9 mil unidades em 2026, enquanto a nova estimativa aponta para aproximadamente 4,5 mil exemplares.
Para o restante do ano, a programação também passou de 1.500 para mil unidades.
Com a revisão, a linha responsável pelas duas picapes passou a trabalhar em apenas um turno desde setembro.

Vendas no Brasil ajudam a explicar decisão
O mercado brasileiro tem participação importante nesse cenário, já que é um dos principais destinos das picapes fabricadas em Córdoba.
Entre janeiro e agosto de 2026, a Fiat Titano registrou 3.479 emplacamentos no Brasil. Agosto foi o mês mais fraco do modelo no ano, com somente 258 unidades.
A Ram Dakota acumulou 3.200 unidades no mesmo período.
As duas enfrentam justamente um dos segmentos mais tradicionais do mercado brasileiro, dominado há anos por modelos como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10.
Enquanto Fiat Strada, Toro e Ram Rampage conseguiram espaço importante em outras categorias de picapes, Titano e Dakota ainda tentam conquistar compradores entre as médias tradicionais.
Titano passou por mudanças desde sua estreia
Lançada no Brasil em 2024, a Fiat Titano nasceu baseada na Peugeot Landtrek, que por sua vez deriva da chinesa Changan Hunter.
Desde então, o projeto passou por várias mudanças. A produção deixou o Uruguai e foi transferida para a Argentina, enquanto o motor anterior foi substituído pelo 2.2 turbodiesel Multijet.
A Ram Dakota já chegou aproveitando essa evolução, embora compartilhe a mesma arquitetura. A marca realizou alterações em suspensão, desenho e posicionamento para tentar criar uma identidade própria.
Stellantis mantém investimento na Argentina
Mesmo com a produção menor, a Stellantis mantém o investimento de US$ 380 milhões na fábrica de Córdoba.
O projeto inclui Titano, Dakota e uma nova unidade destinada à produção do motor 2.2 turbodiesel Multijet, prevista para começar no início de 2027.
Parte dos funcionários afetados pela redução poderá ser direcionada para essa nova operação. A empresa também prevê suspensões temporárias de contratos durante a reorganização.
Portanto, o corte na produção não significa o abandono das picapes. Por enquanto, a Stellantis está ajustando o ritmo da fábrica à demanda encontrada no Brasil e nos demais mercados atendidos pela unidade argentina.