A JAC Motors enfrenta novas reclamações de consumidores no Brasil. Desta vez, compradores do elétrico e-JS1 relatam atrasos de vários meses na entrega dos veículos, mesmo depois da assinatura dos contratos e do início dos financiamentos.
Os relatos aparecem em diferentes estados e seguem um padrão parecido: clientes afirmam que receberam prazos para entrega, mas as datas foram adiadas sucessivamente. Em alguns casos, concessionárias teriam oferecido o pagamento temporário das parcelas do financiamento enquanto o automóvel não chegasse, compromisso que, segundo os compradores, também não teria sido cumprido.
A situação acontece em um momento de redução da operação da JAC no país, depois da retirada de modelos do catálogo e do fechamento de concessionárias.
Clientes da JAC esperam carros há meses
Um dos casos envolve um comprador de Curitiba (PR), que adquiriu um JAC e-JS1 em maio de 2026 e ainda aguardava o veículo meses depois.
Segundo o consumidor, a concessionária prometeu assumir as parcelas enquanto o automóvel não fosse entregue. Ele afirma, porém, que precisou arcar com as primeiras prestações e não recebeu o reembolso prometido.
Situação semelhante foi relatada por uma motorista de aplicativo de Dourados (MS). Depois do fim do prazo inicial de 45 dias, ela afirma ter recebido a informação de que havia um problema envolvendo a importação do carro.
A cliente tentou cancelar a compra, mas recebeu como contraproposta o pagamento das parcelas até a chegada do veículo. Segundo seu relato, o acordo não avançou e as cobranças do financiamento continuaram.

Novos prazos também não teriam sido cumpridos
Uma compradora de Porto Alegre (RS) afirma esperar pelo e-JS1 desde março.
De acordo com ela, a primeira previsão de entrega era de 30 dias. Após o vencimento do prazo, novas datas foram apresentadas, mas nenhuma teria sido cumprida.
A cliente chegou a receber a informação de que seu veículo estava no Espírito Santo, região utilizada para desembarque dos automóveis importados. Mesmo assim, o carro não chegou.
Outro relato vem de Juazeiro do Norte (CE). A compradora afirma que decidiu fechar negócio depois de uma negociação que incluía benefícios como carregador, emplacamento e pagamento da primeira parcela. Após o atraso, ela também passou a buscar o cancelamento.
Consumidores tentam desfazer os contratos
Parte dos compradores agora tenta cancelar tanto a compra quanto os respectivos financiamentos.
O processo, porém, também tem gerado reclamações.
Clientes relatam dificuldades para obter respostas da concessionária e do grupo responsável pela operação da marca. Em alguns casos, os bancos informaram que o dinheiro do financiamento já havia sido repassado à revenda, dificultando o cancelamento imediato.
Com isso, alguns consumidores passaram a procurar órgãos de defesa do consumidor e assistência jurídica.
O que fazer quando o carro não é entregue?
O artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor prevê alternativas quando uma empresa não cumpre uma oferta.
Dependendo da situação, o consumidor pode exigir o cumprimento da entrega, aceitar outro produto equivalente ou pedir o cancelamento do contrato com devolução dos valores pagos.
Também pode haver discussão sobre eventuais perdas e danos, dependendo das consequências provocadas pelo atraso e das circunstâncias de cada caso.
A recomendação inicial é guardar contrato, comprovantes de pagamento, mensagens, protocolos e documentos que indiquem os prazos prometidos.
Depois, o consumidor pode registrar formalmente a cobrança junto à empresa. Se não houver solução, canais como Procon e Consumidor.gov.br podem ser utilizados antes de uma eventual ação judicial.
Nos contratos com financiamento, a situação pode exigir atenção adicional. Caso as parcelas continuem sendo cobradas mesmo sem a entrega do carro, o consumidor pode buscar orientação jurídica para avaliar as medidas possíveis envolvendo também a instituição financeira.
Os relatos mostram que o problema vai além de simplesmente esperar algumas semanas adicionais pelo carro: há consumidores que já assumiram compromissos financeiros sem receber o veículo comprado e agora cobram uma solução definitiva para os contratos.