A Chevrolet Montana Premier 2027 custa R$ 164.190 e ocupa a segunda posição mais cara da gama. Nessa faixa, já começa a esbarrar em modelos maiores, como a Fiat Toro Endurance T270 Flex, tabelada em R$ 167.490.
Apesar de Montana Premier e Toro Endurance estarem separadas por pouco mais de R$ 3 mil, a diferença aumenta bastante quando olhamos para os emplacamentos.
Em agosto de 2026, a Fiat Toro registrou 5.707 unidades, enquanto a Chevrolet Montana terminou o mês com 1.586 exemplares.
Isso representa uma diferença de 4.121 picapes em apenas um mês.
No acumulado do ano, a distância também é significativa. A Toro soma 37.403 unidades, contra 11.793 da Montana.
Ou seja, embora a Chevrolet consiga enfrentar a rival em preço, consumo e alguns custos de propriedade, a preferência do consumidor ainda está bem mais concentrada na picape da Fiat.
Com novas rivais a caminho, como Renault Niagara, Volkswagen Tukan e BYD Mako, a Montana precisa ir além do preço para continuar competitiva. E ela tem argumentos importantes, principalmente quando entram na conta consumo, revisões e desvalorização.
Consumo é um dos pontos fortes da Montana
Segundo o Inmetro, a Montana registra 7,5 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada com etanol.
Com gasolina, os números melhoram para 11 km/l no ciclo urbano e 13,5 km/l no rodoviário.
A Toro Endurance, que custa praticamente o mesmo, faz 6,8 km/l na cidade e 7,9 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, são 9,8 km/l e 11,2 km/l, respectivamente.
Portanto, quem roda bastante pode encontrar na Chevrolet uma vantagem considerável em eficiência.
Em outras palavras, a Montana rende aproximadamente 10% mais com etanol na cidade, 23% mais na estrada, 12% mais com gasolina na cidade e cerca de 21% mais na estrada.

Por outro lado Motor não é dos mais potentes
Todas as versões da Montana utilizam motor 1.2 turbo flex de três cilindros.
São até 141 cv e 22,9 kgfm de torque, com câmbio automático de seis marchas na Premier.
O desempenho, porém, não é um dos destaques quando comparado ao restante da categoria. A potência está entre as menores do segmento, superando apenas a Renault Oroch entre os modelos citados.
Outro ponto que ainda pode gerar preocupação é a utilização da correia dentada banhada a óleo, sistema que acumulou relatos de desgaste prematuro em aplicações anteriores da Chevrolet.
Revisões custam menos que na Toro
A manutenção programada ajuda a equilibrar essa conta.
Considerando cinco anos e 10 mil km rodados anualmente, as revisões da Montana somam R$ 3.352.
Na Fiat Toro, o gasto chega a R$ 4.618 no mesmo período.
Ou seja, a economia da Chevrolet Montana é de R$ 1.266 em revisões ao longo de cinco anos.
A Montana também apresenta desvalorização de 3,5% na comparação entre uma unidade nova e outra com um ano de uso. Na Toro, o índice informado chega a 15,4%.
No seguro, os valores considerados são de R$ 3.571 para homens e R$ 5.666 para mulheres, números que estão entre os mais baixos da categoria.
Premier traz pacote completo de equipamentos
A principal diferença para a Montana RS, mais cara, está basicamente no visual. Portanto, não é necessário subir de versão para ter uma boa picape.
A Premier, por exemplo já concentra boa parte dos equipamentos importantes da picape.
São seis airbags, sensor de ponto cego, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, controle de cruzeiro e ar-condicionado digital automático.
Também aparecem chave presencial, partida por botão, carregador de celular por indução, faróis de LED, rodas de 17 polegadas e central multimídia MyLink de 11 polegadas.
A caçamba oferece oito ganchos e tampa com alívio de peso e abertura por botão elétrico.
Conforto lembra mais um SUV
A Montana tenta fugir daquela sensação mais rústica normalmente associada às picapes.
Os bancos são largos, possuem bom revestimento e oferecem ajustes, embora não sejam elétricos.
A suspensão também ajuda nesse comportamento. O sistema de duplo batente com rigidez variável controla melhor os movimentos da traseira quando a caçamba está vazia e reduz aquela sensação de balanço excessivo.
Por outro lado, passageiros mais altos podem encontrar pouco espaço na segunda fileira, principalmente no assento central.
As portas traseiras também têm ângulo de abertura limitado, algo que pode dificultar a instalação de cadeirinhas ou a colocação de um bebê conforto.
Acabamento ainda tem muito plástico
Para um veículo acima dos R$ 160 mil, o interior utiliza bastante plástico rígido.
Há materiais mais agradáveis ao toque em pontos específicos do painel e das portas dianteiras, além dos bancos revestidos em couro, mas a cabine poderia apresentar acabamento mais sofisticado pelo preço.
Também faltam espaços menores para guardar objetos, fazendo com que porta-copos e compartimento sob o apoio de braço acabem acumulando diferentes funções.
Outro ponto é que nenhuma versão oferece estribo lateral.
Montana Premier 2027 vale a pena?
A Montana Premier apresenta bons argumentos para quem procura uma picape de uso misto.
O consumo é competitivo, as revisões custam menos que as da Toro e a lista de equipamentos já é bastante completa.
Em contrapartida, o motor não está entre os mais fortes da categoria, há limitações de espaço na parte traseira e a capacidade de carga da caçamba fica entre as menores do segmento.
Assim, sua proposta faz mais sentido para quem pretende utilizar a picape principalmente no cotidiano e valoriza conforto, economia e tecnologia, deixando o trabalho pesado em segundo plano.
Sou Vanessa Giselle, redatora do Portal Sua Rotina, onde acompanho e produzo conteúdos sobre o universo das motos, lançamentos, mercado e tendências do setor. Agora, trago essa bagagem também para o mundo dos carros, com foco em informações úteis, novidades, tecnologia, consumo e tudo que ajuda o leitor a entender melhor o mercado automotivo.