Arreda aí

Dolphin SE ganha potência de Yuan Pro, mas o custo anual pode afastar compradores

O BYD Dolphin SE mudou bastante onde o motorista sente a diferença no dia a dia. O elétrico ficou muito mais potente, melhorou a disposição dos comandos internos e ganhou um console central mais funcional. O salto de desempenho é expressivo: agora são 177 cv, suficientes para levar o hatch de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos.

A evolução, porém, não resolveu todos os pontos que pesam na decisão de compra. Seguro elevado, revisões mais caras que as de alguns carros a combustão e uma suspensão ainda firme demais mostram que o custo de ter um Dolphin SE vai além da economia proporcionada pela ausência de gasolina.

Dolphin SE agora usa conjunto mecânico do Yuan Pro

A principal transformação está na motorização.

O antigo conjunto entregava 95 cv e 18,3 kgfm de torque. Agora, o Dolphin SE passa a utilizar a mesma configuração mecânica encontrada no BYD Yuan Pro.

A potência saltou para 177 cv, enquanto o torque aumentou para 29,5 kgfm.

Isso representa um ganho de 82 cv em relação ao modelo anterior.

A diferença aparece imediatamente no desempenho. O tempo de aceleração de 0 a 100 km/h caiu de 10,9 segundos para 7,8 segundos.

São 3,1 segundos a menos.

Com isso, o Dolphin deixa de ter apenas o desempenho suficiente para deslocamentos urbanos e passa a entregar respostas significativamente mais rápidas em arrancadas e retomadas.

BYD Dolphin - Foto: divulgação
BYD Dolphin – Foto: divulgação

Desempenho do BYD Dolphin SE ficou muito mais convincente

O aumento de potência também muda a percepção do carro em situações comuns.

Ultrapassagens, entradas em vias rápidas e retomadas passam a exigir menos tempo, enquanto a entrega imediata de torque característica dos motores elétricos reforça a sensação de agilidade.

Os 177 cv representam uma mudança importante para um hatch compacto que anteriormente tinha menos de 100 cv.

Dessa forma, uma das principais críticas ao desempenho da configuração anterior perde força.

O problema é que a evolução mecânica veio acompanhada de custos que podem surpreender quem associa automaticamente um elétrico a manutenção barata.

Seguro do BYD Dolphin SE pode passar de R$ 8 mil

Segundo as cotações apresentadas, o seguro do BYD Dolphin pode pesar bastante no orçamento anual.

Para homens, a apólice foi estimada em R$ 4.025.

Para mulheres, o valor informado chega a R$ 8.295.

É mais que o dobro da primeira cotação e, dentro do grupo de concorrentes considerado na comparação, nenhum dos rivais diretos apresentou uma conta tão alta.

Naturalmente, o valor real do seguro pode mudar bastante conforme idade, cidade, endereço, histórico do motorista, utilização do veículo e perfil contratado.

Ainda assim, os números servem como alerta para um gasto que deve ser consultado antes da compra.

BYD Dolphin - Foto: divulgação
BYD Dolphin – Foto: divulgação

Revisões do BYD Dolphin SE custam R$ 4.128 em cinco anos

A manutenção programada também não é tão barata quanto alguns compradores podem imaginar.

A tabela de revisões do Dolphin SE soma R$ 4.128 considerando cinco anos de utilização.

Esse total supera até alguns SUVs a combustão de faixa de preço semelhante.

O Chevrolet Tracker, por exemplo, aparece com R$ 3.352 no mesmo tipo de comparação, enquanto o Hyundai Creta soma R$ 3.653.

A diferença chama atenção porque o carro elétrico elimina vários componentes comuns aos motores tradicionais.

Não há troca de óleo do motor, velas ou filtro de combustível, além de existir uma quantidade menor de peças móveis no sistema de propulsão.

Mesmo assim, a tabela do BYD continua acima dessas referências.

Rivais elétricos também cobram menos nas revisões

O Dolphin SE não fica caro apenas diante de modelos a combustão.

No levantamento apresentado, suas revisões também superam as de MG4 Urban, Geely EX2, Chevrolet Spark e GAC Aion UT.

Portanto, quem pretende comprar o BYD pensando exclusivamente em reduzir gastos de manutenção precisa observar os valores da rede autorizada.

O custo energético de um elétrico pode ser bastante diferente daquele encontrado em um carro a gasolina, mas isso não significa que todos os demais gastos sejam necessariamente menores.

Interior do BYD Dolphin SE ficou mais prático

A BYD também aproveitou a atualização para reorganizar a cabine.

A antiga chave seletora giratória de marchas instalada no painel foi eliminada.

Em seu lugar aparece uma haste na coluna de direção.

Essa mudança liberou espaço no console central, que foi redesenhado para receber mais áreas destinadas a objetos.

O carregador de celular por indução também ocupa essa região.

Na prática, o novo arranjo reduz a quantidade de elementos no painel e deixa o acesso aos espaços do console mais simples.

Suspensão do BYD Dolphin SE continua sendo ponto fraco

Mesmo com alterações específicas para as condições brasileiras, a suspensão ainda merece atenção.

Molas e amortecedores receberam nova calibração, mas o conjunto continua excessivamente firme no uso diário.

Emendas de asfalto, paralelepípedos, buracos e valetas são transmitidos para a cabine com impactos secos e vibrações perceptíveis.

O problema aparece principalmente para quem viaja no banco traseiro.

O curso limitado dos amortecedores também faz com que a suspensão alcance o fim do curso com relativa facilidade em irregularidades maiores.

Falta um funcionamento mais progressivo, semelhante ao encontrado em outros modelos da própria BYD, como Song Pro e Dolphin Mini.

Dolphin SE melhorou muito, mas a conta precisa fechar

O novo BYD Dolphin SE resolveu uma questão importante ao praticamente dobrar a potência do conjunto anterior. Os 177 cv e a aceleração de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos tornam o hatch muito mais convincente.

A cabine também ficou mais funcional com a nova seletora de marchas e o console redesenhado.

Por outro lado, seguro que pode ultrapassar R$ 8 mil, R$ 4.128 em revisões durante cinco anos e uma suspensão ainda desconfortável em pisos ruins são fatores que merecem entrar na conta.

O Dolphin SE ficou mais rápido e tecnológico, mas quem está pensando na compra precisa comparar não apenas autonomia e preço de energia. O custo de propriedade pode mudar bastante a percepção de economia que normalmente acompanha um carro elétrico.

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