Arreda aí

Jeep Avenger é compacto e bem acabado, mas espaço traseiro e porta-malas decepcionam

O Jeep Avenger chega ao mercado brasileiro com uma proposta diferente dos outros SUVs da marca. Ele é o menor Jeep já produzido no mundo, tem dimensões pensadas para a cidade e uma cabine dianteira que surpreende pelo acabamento.

Ao mesmo tempo, algumas limitações aparecem justamente quando o assunto é utilização familiar.

O porta-malas de apenas 321 litros e o espaço mais apertado para passageiros altos no banco traseiro estão entre os principais pontos de atenção.

Em compensação, o SUV oferece boa altura em relação ao solo, central multimídia de série e uma cabine mais refinada do que a encontrada na configuração europeia.

Jeep Avenger é o menor modelo da marca

O Avenger mede 4,09 metros de comprimento, 1,78 m de largura e 1,60 m de altura, enquanto o entre-eixos possui 2,56 metros.

Com essas dimensões, tornou-se o menor Jeep já produzido.

A carroceria compacta favorece principalmente o uso urbano, mas a fabricante tentou preservar algumas características associadas à identidade aventureira da marca.

O vão livre do solo chega a 22,1 cm, enquanto o ângulo de ataque é de 22 graus e o de saída alcança 33,6 graus.

Para o Brasil, a suspensão também recebeu uma alteração importante: ficou aproximadamente 2 cm mais alta do que a configuração europeia.

Jeep Avenger – Foto: divulgação

Avenger não terá tração 4×4

Apesar da aparência aventureira, existe uma diferença importante diante de outros modelos da Jeep vendidos no país.

O Avenger é o único Jeep disponível no Brasil sem nenhuma opção de tração 4×4.

A proposta, portanto, está mais ligada à capacidade de enfrentar pisos ruins e obstáculos urbanos do que a uma utilização realmente voltada para terrenos fora de estrada mais exigentes.

A altura livre e os ângulos da carroceria ajudam nesse objetivo, especialmente em valetas, rampas e vias irregulares.

Porta-malas de 321 litros decepciona

O espaço para bagagens é um dos pontos mais fracos.

O porta-malas oferece 321 litros pelo padrão VDA, praticamente empatando com os 320 litros do Jeep Renegade.

A comparação chama atenção porque o Renegade possui uma carroceria maior.

O resultado também deixa o Avenger atrás de seus principais concorrentes. O Chevrolet Sonic, por exemplo, oferece 392 litros, uma vantagem de 71 litros.

O SUV da Jeep possui estepe temporário, mas não oferece abertura ou fechamento elétrico da tampa.

Para quem utiliza o veículo com família ou costuma viajar carregado, os 321 litros podem exigir maior organização das bagagens.

Espaço traseiro atende melhor passageiros menores

O banco traseiro acompanha as limitações naturais de um SUV com pouco mais de quatro metros.

Com o banco dianteiro ajustado para uma pessoa de aproximadamente 1,66 m, há espaço suficiente para joelhos e ombros.

Passageiros mais altos, porém, podem sentir falta de alguns centímetros extras, principalmente na região da cabeça.

Nesse aspecto, o Renegade consegue oferecer uma acomodação um pouco melhor.

Outro problema é o túnel central elevado, que reduz o conforto de quem viaja no meio do banco traseiro.

Também não existem saídas de ar-condicionado dedicadas aos ocupantes de trás nem alças de teto traseiras.

Jeep Avenger – Foto: divulgação

Acabamento traseiro é mais simples

A diferença de tratamento entre as duas partes da cabine fica evidente nas portas.

Na traseira, praticamente toda a forração utiliza plástico rígido, inclusive na região do apoio de braço.

Os bancos, porém, são confortáveis.

Dependendo da versão, recebem revestimento de vinil, enquanto a configuração mais barata utiliza tecido.

É na dianteira que a percepção de qualidade melhora significativamente.

Cabine brasileira é mais refinada que a europeia

Na frente, o Avenger brasileiro recebeu materiais mais elaborados do que o modelo europeu.

As portas possuem superfícies macias tanto no apoio de braço quanto na parte superior.

O painel combina áreas de plástico rígido com detalhes revestidos pelo mesmo material utilizado nos bancos, acompanhados de costuras aparentes.

Há ainda iluminação ambiente com oito opções de cores.

Essa combinação ajuda a afastar a impressão de um SUV excessivamente simples, especialmente nas configurações superiores.

Multimídia de 10 polegadas vem desde a entrada

O quadro de instrumentos digital pode ter 7 ou 10,25 polegadas, dependendo da versão.

Na Limited, a tela maior consegue apresentar o mapa do sistema de navegação nativo da central. Por outro lado, não reproduz mapas do Waze ou Google Maps.

A central multimídia de 10 polegadas é de série desde a versão de entrada.

O sistema utiliza uma interface semelhante à encontrada em outros produtos da Stellantis, consequência do compartilhamento da plataforma CMP com Peugeot 208 e 2008.

Android Auto e Apple CarPlay funcionam sem fio.

Comando de voz usa inteligência artificial

Outra novidade está no sistema de comandos por voz.

Ao utilizar a expressão “Hey, Jeep”, o motorista pode solicitar ajustes em funções como climatização e áudio.

Nos testes apresentados, entretanto, o sistema apresentou dificuldades para interpretar comandos realizados com uma linguagem mais informal.

Felizmente, o Avenger preserva botões físicos para os controles do ar-condicionado.

No console central há ainda freio de estacionamento eletrônico de série. Dentro do segmento, Avenger e Renault Kardian são apontados como os únicos a oferecer o recurso.

O carregador por indução aparece a partir da versão Longitude.

Teto solar custa R$ 7.500

Entre os opcionais está o teto solar, oferecido por R$ 7.500.

O equipamento aumenta o apelo da cabine, embora a própria Jeep reconheça que parte dos consumidores ainda prefira as tradicionais barras longitudinais no teto.

O Avenger também possui detalhes interessantes de ergonomia, como o porta-luvas com abertura amortecida.

No conjunto, o Jeep Avenger consegue entregar uma cabine dianteira tecnológica e mais refinada do que suas dimensões sugerem. O problema aparece quando a prioridade passa a ser espaço: os 321 litros do porta-malas, a ausência de saídas de ar atrás e a acomodação limitada para passageiros mais altos deixam claro que o menor Jeep já produzido cobra algumas concessões para manter sua carroceria compacta.

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