O hatch elétrico Geely EX2 começa a ganhar um espaço que poucos modelos recém-chegados conseguem conquistar tão rapidamente no mercado brasileiro. Em poucos meses, o compacto avançou entre os carros mais procurados do país e passou a protagonizar uma situação curiosa dentro da própria estrutura que hoje aproxima Geely e Renault no Brasil.
Os dados de emplacamentos de julho mostram até onde esse crescimento chegou. Além de estabelecer seu melhor resultado mensal desde a estreia, o elétrico chinês alcançou um volume capaz de superar modelos tradicionais e colocou pressão sobre concorrentes que estão no país há muito mais tempo.
Geely EX2 dispara nas vendas e entra no top 10

O desempenho do Geely EX2 ganhou força em julho de 2026. Foram 5.898 unidades emplacadas no mês, considerando todos os canais de comercialização.
Em junho, o modelo havia registrado 4.383 unidades. Portanto, de um mês para o outro, o volume avançou cerca de 35%, levando o hatch ao seu melhor resultado desde o lançamento.
Além disso, o crescimento colocou o EX2 pela primeira vez entre os dez automóveis mais vendidos do Brasil em um único mês.
O resultado chama ainda mais atenção quando comparado ao desempenho da Renault, empresa que atualmente mantém uma parceria estratégica com a Geely no mercado brasileiro.
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Hatch elétrico vende 1.515 unidades a mais que o Renault Kwid
Nenhum automóvel da Renault alcançou o volume registrado pelo EX2 em julho.
O Renault Kwid, principal modelo da marca francesa naquele mês, somou 4.383 emplacamentos. Assim, o Geely terminou o período com 1.515 unidades de vantagem, diferença próxima de 35%.
Enquanto isso, outros veículos da fabricante ficaram ainda mais distantes. O Renault Duster, por exemplo, fechou julho com 1.611 unidades vendidas.
Dessa forma, dentro da estrutura comercial formada pela aproximação entre Renault e Geely, o maior volume mensal acabou vindo justamente de um veículo da fabricante chinesa. No acumulado de 2026, porém, o cenário ainda favorece o Kwid.
Entre janeiro e julho, o compacto da Renault contabilizou 34.960 emplacamentos, contra 20.678 unidades do EX2. A diferença ocorre porque o Kwid começou o ano com um ritmo de vendas maior, enquanto o Geely acelerou principalmente nos meses mais recentes.
Vendas no varejo reforçam procura pelo EX2

Outro ponto importante está na origem dos emplacamentos. Das 5.898 unidades do Geely EX2 vendidas em julho, 5.707 foram para o varejo. Isso representa aproximadamente 97% do total registrado pelo modelo naquele mês.
Esse indicador é relevante porque mostra uma forte participação do consumidor final, reduzindo a dependência de grandes operações de venda direta.
Para comparação, o Kwid registrou 1.936 unidades no varejo durante o mesmo período. Portanto, embora diferentes estratégias comerciais possam influenciar os números gerais de cada fabricante, o resultado do EX2 mostra que a demanda do público também teve peso significativo em seu crescimento.
Renault e Geely ampliam parceria no Brasil
A comparação entre as duas fabricantes se tornou possível por causa de uma relação empresarial que avançou nos últimos meses.
Desde novembro de 2025, a Geely possui participação de 26,4% na operação da Renault no Brasil, enquanto o grupo francês continua como acionista majoritário.
A parceria resultou na Renault Geely do Brasil e também envolve produção, desenvolvimento de veículos e compartilhamento de tecnologias.
Nesse cenário, a Geely ganhou acesso ao Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. A fábrica será utilizada para produzir veículos da marca chinesa no país.
Por outro lado, a Renault passou a ter acesso à arquitetura GEA, plataforma desenvolvida pela Geely e voltada para modelos eletrificados.
Além disso, as empresas anunciaram investimentos de R$ 3,8 bilhões na unidade paranaense, com foco em ampliação da produção e desenvolvimento de novos produtos.
Sucesso faz Geely antecipar produção nacional
O crescimento do EX2 também provocou mudanças nos planos industriais da empresa.
Inicialmente, o hatch elétrico não estava entre os primeiros veículos da Geely escolhidos para fabricação brasileira. Entretanto, diante da procura pelo compacto, sua nacionalização foi antecipada.
A produção deverá começar até o final de 2026, na unidade Curitiba Veículos Utilitários (CVU), integrada ao complexo industrial da Renault em São José dos Pinhais.
Antes dele, a fábrica deverá iniciar a produção do Geely EX5 EM-i, SUV híbrido plug-in que também integra a estratégia de expansão da montadora no país.
Com isso, o EX2 deixará de depender exclusivamente das unidades importadas, movimento que poderá ampliar sua presença no mercado nacional.
Geely EX2 aposta em preço e autonomia para enfrentar BYD

Um dos motivos para o avanço do hatch elétrico está em seu posicionamento dentro de um segmento que cresce rapidamente no Brasil.
O Geely EX2 é vendido nas versões Pro e Max, com preços de R$ 123.800 e R$ 136.800, respectivamente. Seus principais rivais incluem BYD Dolphin e Dolphin Mini.
O compacto mede 4,14 metros de comprimento, 1,81 m de largura e 1,58 m de altura. Já o entre-eixos chega a 2,65 metros, medida equivalente à encontrada no Volkswagen T-Cross.
O espaço para bagagens também chama atenção. São 375 litros no porta-malas traseiro, além de mais 70 litros no compartimento dianteiro.
Motor entrega 116 cv e autonomia de 289 km
As duas versões utilizam o mesmo conjunto mecânico.
O motor elétrico instalado no eixo traseiro desenvolve 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque. Segundo os números divulgados para o modelo, a aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 9,7 segundos.
A bateria tem capacidade de 39,4 kWh e oferece autonomia de 289 km pelo padrão do Inmetro.
Assim, a proposta do EX2 combina dimensões de hatch compacto, espaço interno competitivo e preço abaixo de diversos elétricos maiores disponíveis atualmente.
EX2 começa a mudar a disputa entre Renault e Geely
O resultado de julho mostra que o Geely EX2 deixou rapidamente de ser apenas uma novidade entre os elétricos. Com 5.898 emplacamentos em um único mês, o hatch conseguiu superar cada modelo individualmente vendido pela Renault no Brasil e ainda entrou no grupo dos dez carros mais comercializados do país.
Agora, o próximo passo será acompanhar se esse ritmo continuará nos próximos meses. A produção brasileira prevista para 2026 pode ampliar ainda mais sua competitividade e transformar o EX2 em um dos principais carros de volume da nova operação formada por Renault e Geely no mercado nacional.
Sou Vanessa Giselle, redatora do Portal Sua Rotina, onde acompanho e produzo conteúdos sobre o universo das motos, lançamentos, mercado e tendências do setor. Agora, trago essa bagagem também para o mundo dos carros, com foco em informações úteis, novidades, tecnologia, consumo e tudo que ajuda o leitor a entender melhor o mercado automotivo.