Potência sempre foi um dos argumentos usados pelas fabricantes para valorizar um carro. Em 2026, porém, algumas marcas começaram a seguir justamente o caminho contrário: motores já conhecidos passaram por novas calibrações e perderam alguns cavalos.
A explicação está no IPI Verde. Com as novas regras, a potência passou a fazer parte do cálculo do imposto e criou faixas que podem aumentar a tributação. Por isso, números próximos de 115 ou 116 cv começaram a aparecer com frequência nas fichas técnicas.
E não foi apenas uma fabricante que fez isso.
Por que 115 cv virou um número tão importante?
Para automóveis de passageiros, o IPI Verde parte de uma alíquota-base de 6,3%, mas o valor final depende de diferentes critérios, como eficiência energética, tipo de propulsão, segurança e reciclabilidade.
A potência também entra nessa conta.
Veículos com até 85 kW, aproximadamente 115,6 cv, não recebem acréscimo por esse item. Passando desse limite e chegando até 105 kW, cerca de 142,8 cv, entra um adicional de 0,75 ponto percentual.
Em apenas um veículo pode parecer pouco. Quando a diferença é multiplicada por milhares de unidades produzidas, porém, o impacto financeiro aumenta bastante.
Isso também não significa que todo carro com 115 cv terá exatamente 6,3% de IPI. A potência é apenas uma das variáveis usadas para chegar à alíquota final.
Chevrolet Tracker
O Tracker é um dos exemplos mais curiosos.
Seu motor 1.0 turbo entregava 117 cv com gasolina e 121 cv com etanol. Depois da recalibração, passou para 115,5 cv com qualquer um dos combustíveis.
O torque permaneceu intacto: 18,3 kgfm com gasolina e 18,9 kgfm com etanol.
Ou seja, a nova potência ficou praticamente sobre o limite de 85 kW.
Caoa Chery Tiggo 8 Pro
A redução não atingiu apenas motores pequenos.
No início de 2026, o Tiggo 8 Pro também teve seu motor 1.6 turbo a gasolina recalibrado.
A potência caiu de 187 para 180 cv, enquanto o torque continuou em 28 kgfm.
Hyundai Creta
O Hyundai Creta 1.0 TGDI também entrou nessa lista.
Anteriormente, eram 115 cv com gasolina e 120 cv com etanol, além de 17,5 kgfm de torque.
Agora, o SUV entrega 115 cv com os dois combustíveis, sem alteração no torque.
A família já havia passado por outra redução. As versões com motor 1.6 TGDI saíram dos antigos 193 cv para até 176 cv, além de adotarem tecnologia flex.
Fiat Pulse e Fastback
No caso da Fiat, a mudança é ainda mais perceptível.
O motor Turbo 200 utilizado por Pulse e Fastback entregava 125 cv com gasolina e 130 cv com etanol.
Na linha 2027, passou para 116 cv independentemente do combustível.
São 9 cv a menos com gasolina e 14 cv de redução com etanol.
O torque permanece nos mesmos 20,4 kgfm.
Quer saber mais detalhes sobre o Fiat Pulse? Assista ao vídeo abaixo:
Peugeot 208 e 2008
Peugeot 208 e 2008 utilizam o mesmo conhecido motor T200 da Stellantis, mas a marca francesa divulga uma potência ligeiramente diferente.
Antes, eram 125 cv com gasolina e 130 cv com etanol. Agora, os dois modelos passaram para 115 cv com qualquer combustível.
Isso representa perda de 10 cv com gasolina e 15 cv com etanol, a maior redução entre os exemplos desta lista.
O torque continua em 20,4 kgfm.
Curiosamente, Fiat e Peugeot chegaram a números divulgados diferentes para calibrações muito próximas: 116 cv nos modelos Fiat e 115 cv nos Peugeot. Nos dois casos, porém, a potência fica justamente ao redor dos 85 kW que passaram a ter importância especial com as novas regras do IPI.